A presidente do PS-Madeira manifestou, hoje, a sua solidariedade para com os mais de 80 enfermeiros do Serviço de Urgência do Hospital Dr. Nélio Mendonça que apresentaram declarações de escusa de responsabilidade, por não estarem reunidas as condições necessárias para a prestação dos devidos cuidados de saúde aos utentes.
Em menos de dois meses, esta é já a segunda vez que que tal acontece, já que, em janeiro, cerca de 75 profissionais haviam procedido à entrega das respetivas recusas. Uma situação que, no entender de Célia Pessegueiro, evidencia o “caos” em que está mergulhado o setor da saúde, devido à má gestão e às prioridades invertidas do Governo Regional.
Na base destas declarações de escusa de responsabilidade está a falta de condições adequadas para garantir a prestação de cuidados e a segurança dos doentes e dos profissionais, isto quando o serviço regista uma elevada procura, com dezenas de doentes em macas colocadas nos corredores.
Além da grande afluência às urgências, e em consonância com as razões invocadas pelos profissionais, a líder socialista alerta para o elevado número de doentes a aguardar por internamento nos serviços de especialidade, situação que fica a dever-se, em grande parte, à má gestão do Governo, que não é capaz de dar a resposta social necessária para resolver os casos de altas problemáticas, que neste momento ultrapassam as 320.
Esta situação reveste-se de maior gravidade pelo facto de os pacientes estarem espalhados em macas pelos corredores, longe dos gabinetes de enfermagem (colocando em causa a vigilância e monitorização) e, na maioria das vezes, sem a devida distância de segurança, impossibilitando a prevenção e o controlo de infeções. Isto, sem esquecer a falta de privacidade, por exemplo, na prestação de cuidados de higiene aos utentes.
Depois de, em janeiro, os profissionais terem procedido à entrega das declarações de escusa de responsabilidade, devido à insuficiência de recursos humanos, marcada por rácios enfermeiro-doente desadequados, o facto é que esta lacuna continua por colmatar (como adianta hoje o JM-Madeira), o que agrava ainda mais o cenário no serviço de urgências, principalmente nesta época sazonal de maior procura, devido à maior incidência de gripe e infeções respiratórias.
Preocupada, Célia Pessegueiro mostra-se solidária com os enfermeiros e demais profissionais de saúde, os quais continuam a dar o seu melhor no desempenho das suas funções e “não podem ser responsabilizados por uma situação que resulta da incompetência e da incapacidade do Governo Regional na gestão da Saúde”.
A presidente do PS-Madeira alerta que está na hora de, de uma vez por todas, o Executivo assumir a Saúde como uma prioridade, encontrando soluções sociais para as altas problemáticas e garantindo o número de profissionais adequado para a prestação dos cuidados com qualidade e segurança, quer para os utentes, quer para os próprios. Algo que, vinca, estaria devidamente salvaguardado se, como o PS tem vindo a defender, o Governo apostasse atempadamente no planeamento do pessoal necessário (tendo em conta a previsão de aposentações) e na respetiva contratação.
A líder dos socialistas alerta que os problemas na saúde não se resumem ao caos vivido nas urgências e explica, aliás, que esta situação é também resultado das falhas estruturais na gestão de todo o sistema. “O PS tem vindo, repetidamente, a dizer que é preciso dotar os centros de saúde do número de médicos de medicina geral e familiar necessários para responder à procura, o que permitiria prevenir e detetar problemas de saúde atempadamente e reduzir a afluência às urgências. E o que faz o Governo Regional? Ignora e continua a fingir que está tudo bem”, critica Célia Pessegueiro, lembrando as queixas diárias de utentes que não conseguem aceder a consultas.
“Aquilo que vemos é um Serviço de Saúde a definhar de dia para dia, perante a inação governativa”, constata, somando ainda a tudo isto os pagamentos de horas extraordinárias em atraso a profissionais de saúde, as repetidas faltas de medicamentos, o incumprimento dos tempos máximos de resposta e as longas listas de espera para consultas, exames e cirurgias. “Temos um Governo que, ao invés de tratar da saúde, está a promover a doença”, remata, em tom crítico, a presidente do PS-M.
