O PS-Madeira alertou, hoje, para a urgência de Governo Regional fazer o devido planeamento e dotar, efetivamente, todos os centros de saúde da Região de médicos de família a tempo inteiro, para responder à procura e às necessidades dos utentes.
Esta sexta-feira, os socialistas estiveram junto ao Centro de Saúde do Santo da Serra, infraestrutura que abrange a população das freguesias homónimas dos concelhos de Machico e Santa Cruz, tendo a presidente do Partido dado conta dos alertas que tem vindo a receber por parte de várias pessoas em relação às dificuldades sentidas para conseguirem consultas médicas.
Este é um problema que já se arrasta desde agosto do ano passado, altura em que a médica de família que estava afeta ao centro de saúde se aposentou. Desde então, a sua substituição não aconteceu por inteiro, sendo que o serviço médico é prestado apenas nalguns dias da semana e somente durante uma parte do dia, o que é manifestamente insuficiente para responder a uma população de cerca de 2.100 pessoas.
Como referiu Célia Pessegueiro, isto tem gerado uma incapacidade de resposta para a procura, sendo que as pessoas são aconselhadas a se deslocarem cedo para o local nos dias em que há médico, na expetativa de conseguirem uma consulta do dia, o que, em muitas situações, acaba por não acontecer. “Às vezes, às 7h30 da manhã, já estão à porta do centro de saúde, à espera de uma oportunidade e, muitas das vezes, nem a conseguem, porque, por algum motivo, não há médico nesse dia”, lamentou.
A líder socialista adiantou que esta situação está a causar uma grande frustração na população, numa freguesia que é das mais envelhecidas da Região e que, como tal, tem dificuldades em encontrar outra solução, nomeadamente no privado. Acresce que, vincou, as pessoas têm a expetativa e o direito de usufruírem de um serviço público para o qual já contribuíram.
Célia Pessegueiro alertou que esta é uma situação que se verifica igualmente noutros centros de saúde da Região, apontando como exemplo o do Estreito de Câmara de Lobos, em que houve também a aposentação de médicos de família afetos ao serviço, sem que os mesmos tenham sido substituídos a tempo inteiro, o que faz com que as pessoas tenham de estar sujeitas e uma solução de recurso.
“Isto não pode estar a acontecer num serviço público de saúde, porque, para além da instabilidade que cria, também irá gerar outros problemas a longo prazo, uma vez que as pessoas que não são devidamente acompanhadas ao nível do centro de saúde acabarão, mais cedo ou mais tarde, por entrar diretamente pelo hospital, via serviço de urgência, o que ainda criará mais problemas ao Serviço de Saúde”, disse a líder socialista, chamando a atenção para o facto de, desta forma, muitos problemas de saúde poderem não ser detetados atempadamente.
Perante esta realidade, Célia Pessegueiro voltou a reforçar a urgência de o SESARAM fazer o devido planeamento e previsão dos profissionais que serão necessários ao longo dos próximos anos – sobretudo médicos e enfermeiros – e proceder à respetiva contratação, para evitar estas falhas constantes e assegurar o atendimento atempado.
