A presidente do PS-Madeira denuncia a falta de formações específicas com vista a habilitar os agricultores para a aplicação de produtos fitofarmacêuticos.
Em consequência disso, dá conta Célia Pessegueiro, há centenas de agricultores que, desde o início deste ano, estão impedidos de adquirirem os referidos produtos, pelo facto de não serem portadores do respetivo cartão habilitante.
Numa iniciativa desenvolvida na Ribeira Brava, a líder dos socialistas madeirenses adiantou que tem recebido várias queixas a dar conta deste problema, não apenas neste concelho, mas também noutros municípios da Região.
Como afirmou, na Ribeira Brava, o último curso para habilitar os agricultores a aplicarem os produtos fitofarmacêuticos aconteceu o ano passado, tendo sido prometidas novas formações para este ano, mas, até ao momento, ainda não se realizaram.
Ora, desde 1 de janeiro, as regras ditam que os agricultores que não tiverem a formação e o cartão comprovativo não podem adquirir os produtos em causa, situação que está a provocar grandes constrangimentos a quem se dedica a esta atividade. Estes impedimentos acabam por ter também impactos significativos ao nível das várias produções, cada vez mais expostas e vulneráveis perante as variações climatéricas e o surgimento de pragas.
Célia Pessegueiro alerta os serviços do Governo Regional responsáveis por esta área para a necessidade urgente de retomar estas formações, sob pena de, pelo facto de não poderem comprar estes produtos, haver cada vez menos agricultores a se dedicarem à terra. Como refere, compete à Direção Regional de Agricultura e Desenvolvimento Rural identificar esta falha na oferta e promover, por meios próprios ou através de entidades reconhecidas, o curso de aplicador de produtos fitofarmacêuticos. Uma formação que, sublinha, se revela fundamental também do ponto de vista da garantia da segurança e saúde dos produtores e consumidores.
“Numa Região onde o declínio da agricultura e o abandono dos campos avança a uma velocidade cada vez mais preocupante, não é compreensível, nem aceitável que o Governo Regional continue nesta inércia e passividade”, adverte a presidente do PS-M. “À conta disso, todos nós ficamos a perder: quer com a quebra nas produções e a regressão na soberania alimentar, quer com o abandono dos terrenos e o aumento dos riscos a ele associados”, remata.
