“Saio da liderança, mas não saio do combate. […] Estarei aqui, de pé, na linha da frente, com a Madeira no coração e o Partido Socialista na voz e na ação”, afirmou, hoje, Paulo Cafôfo, na sua intervenção no XXIII Congresso Regional do PS-M.
Na apresentação do relatório de atividades da direção anterior, o líder cessante dos socialistas madeirenses referiu que conclui este ciclo, mas não encerra nenhum compromisso, nem o futuro. “Quando a luta pela Madeira, pelos madeirenses e pelo PS nos corre no sangue, não há despedidas. Há responsabilidade, há novos começos e novos caminhos que se constroem com a mesma dedicação de sempre”, disse.
Cafôfo fez uma retrospetiva do tempo em que liderou o partido, entre dezembro de 2023 e dezembro de 2025, o qual classificou como “o período mais frenético e instável da nossa história recente”, com duas eleições para a Assembleia Regional, duas para a Assembleia da República, todas antecipadas, três atos eleitorais para a liderança do PS-Madeira, a eleição de dois secretários-gerais do PS, eleições para as concelhias e eleições europeias e autárquicas. No total, foram dois anos com doze atos eleitorais, num ciclo marcado por instabilidade permanente (nacional, regional e interna) e por sucessivas interrupções, numa política em estado de emergência. Um período em que, disse, não existiram condições mínimas de estabilidade, que qualquer liderança precisa para consolidar um projeto político.
Como afirmou o socialista, num contexto difícil, de mar agitado e ventos contrários, “fica claro que liderar não é apenas ocupar um lugar, mas aguentar o barco, manter o rumo, assumir responsabilidades e não largar o leme”, assim como saber quando passar o testemunho, mantendo sempre o mesmo compromisso.
Ainda na análise ao período da sua liderança, Paulo Cafôfo considerou que as divergências são legítimas, mas o que não se pode aceitar é “a sabotagem, os franco-atiradores de bastidores, as críticas cobardes de quem não dá a cara, não se candidata, não assume riscos, mas dispara todos os dias contra o próprio Partido”. “Assim não se constrói nada, assim apenas se enfraquece o PS e se fortalece quem nos quer ver pequenos”, reparou, acrescentando que o partido tem de funcionar como uma equipa, com pluralismo, com debate, mas com lealdade, sem jogos pessoais, guerras de ego e agendas escondidas.
A um outro nível, numa abordagem à conjuntura atual, marcada pelo crescimento dos partidos populistas, Cafôfo considerou que a estratégia do PS-Madeira tem de assentar na coragem de dizer a verdade, na proximidade com as pessoas e na defesa intransigente da democracia e da Autonomia. “Combatemos o populismo com políticas públicas que resolvem problemas concretos, com justiça social, com transparência e com respeito pelas instituições. É no contacto direto com a população, na escuta ativa e na credibilidade das nossas propostas que se desmontam discursos fáceis e soluções ilusórias”, expressou.
Paulo Cafôfo reforçou que sai da liderança com a consciência tranquila de que deu tudo o que tinha, que não se escondeu nos momentos difíceis e não abandonou o leme nas tempestades, garantindo que continua aqui, “não como obstáculo, mas como militante disponível, leal e comprometido com o futuro do PS-Madeira e lado a lado com a nova liderança de Célia Pessegueiro”.
Desejou à nova presidente do Partido um percurso de firmeza e sentido político com a lucidez para trilhar bons caminhos que permitam afirmar e fazer crescer o PS-Madeira.
