InícioAtualidadePSD e CDS bloqueiam inquérito e encobrem falhanço da Fábrica das Algas

PSD e CDS bloqueiam inquérito e encobrem falhanço da Fábrica das Algas

O Grupo Parlamentar do PS-Madeira critica o chumbo, por parte do PSD e do CDS, do requerimento apresentado pelos socialistas para a constituição de uma comissão parlamentar de inquérito sobre o investimento, gestão e processo de alienação da Unidade de Microalgas do Porto Santo.

A iniciativa do PS visava apurar todo o processo relacionado com aquela infraestrutura, mais conhecida como a Fábrica das Algas, desde a sua implantação até ao momento presente. Isto quando foi já reconhecido o falhanço deste projeto e decidida a sua alienação ou desativação a curto prazo.

“Com esta postura, o PSD e o CDS mostram que estão na Assembleia apenas para servirem de advogados do Governo Regional, compactuando com a sua gestão irresponsável, em vez de defenderem os interesses dos madeirenses e porto-santenses”, condena o líder parlamentar do PS.

Paulo Cafôfo alerta para o facto de estarem em causa 54 milhões de euros de dinheiros públicos que ali foram enterrados, sem qualquer retorno, situação que deveria, obrigatoriamente, ser objeto do devido escrutínio. “Estamos perante mais um exemplo daquela que é uma gestão lesiva do património e dos interesses da população da Madeira e do Porto Santo e aquilo que assistimos é ao PSD e o CDS a fecharem os olhos perante uma situação desta gravidade”, censura o socialista.

Recorde-se que o projeto da Fábrica das Algas teve início em 2008 e estava vocacionado para a produção de biocombustível a partir de microalgas, tendo sido anunciado publicamente como um investimento estratégico para a Madeira e Porto Santo, inserindo-se numa lógica de descarbonização e no objetivo de tornar a ilha livre da pegada de carbono.

A inviabilidade do projeto foi identificada deste cedo, tendo, entretanto, inclusivamente, sido reorientado o foco da produção para substâncias destinadas à indústria alimentar e cosmética. Mas também não vingou.

Depois do dispêndio de 54 milhões de euros do erário público e do insucesso da alienação, os socialistas pretendiam, com a Comissão de Inquérito, passar a pente fino todo este processo e esclarecer como serão integrados os trabalhadores na Empresa de Eletricidade da Madeira ou na Administração Pública Regional, mas, como referido, a maioria parlamentar decidiu dar cobertura ao Governo e travar o apuramento dos factos.