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Estratégia para a gestão eficiente da água potável chumbada com a “desculpa de que tudo já está a ser feito”

O vereador do Partido Socialista na Câmara Municipal do Funchal (CMF) lamentou, hoje, a rejeição, por parte do executivo PSD/CDS, da proposta que tinha em vista a implementação de uma estratégia municipal para a gestão eficiente da água potável e otimização dos equipamentos hidráulicos no concelho.

A proposta socialista foi levada à reunião de Câmara desta quinta-feira e tinha em atenção o desafio cada vez maior das alterações climáticas e a consequente e necessária mudança comportamental na gestão dos recursos hídricos, mas, como adiantou Rui Caetano, foi chumbada com o argumento habitual de que “tudo já está a ser feito”, o que não corresponde à verdade.

Como explicou o vereador, a estratégia apresentada pelo PS contemplava a recuperação dos reservatórios da antiga Estação de Tratamento de Água dos Tornos, para armazenar água não tratada, e a criação de um sistema dual de distribuição de água na cidade, de modo a que a água não tratada fosse utilizada para o combate a incêndios e para usos não prioritários, como a rega de espaços verdes, a lavagem de viaturas ou a limpeza urbana, ficando a água potável destinada exclusivamente ao abastecimento público.

Rui Caetano lembrou, aliás, que, há não muito tempo, foi o próprio presidente da Águas e Resíduos da Madeira que assumiu publicamente que se houvesse um grande incêndio na Madeira haveria insuficiência na distribuição de água potável às populações, devido à sobrecarga do sistema, que é comum. Um facto que atesta ainda mais a importância de adotar as recomendações feitas pelo PS, sublinhou, dando conta que, apesar dos investimentos que estão a ser feitos, as perdas na rede de abastecimento público atingem os 61%, afetando a disponibilidade de água potável para consumo humano.

A proposta socialista previa ainda intervenções de engenharia natural nas áreas a montante, nomeadamente no Parque Ecológico do Funchal, a implementação de linhas de desnível e outras técnicas de retenção hídrica que aumentem a infiltração e recarga dos lençóis freáticos, e o encaminhamento, por gravidade, destas águas para reservatórios naturais ou artificiais, incluindo as cisternas dos Tornos.