O PS-Madeira exige que o Governo Regional venha a público explicar como é que a obra do novo Hospital pode vir a custar um total de aproximadamente mil milhões de euros, com uma conclusão que irá muito para além do ano de 2030, quando esteve prevista custar 350 milhões e estar concluída em 2024.
Em reação à notícia hoje veiculada pelo Diário de Notícias da Madeira, a presidente dos socialistas madeirenses alerta para um detalhe que salta logo à vista e que exige uma resposta imediata do Executivo. Célia Pessegueiro quer saber como é possível que o Governo tivesse, há um ano, em sua posse um preço base de 320 milhões de euros para esta terceira fase da empreitada e tenha optado por lançar em 2025 o concurso com o preço base de 265 milhões de euros, como referido na notícia. “Foi de propósito para não haver empresas interessadas e o procedimento cair?”, questiona a socialista.
A presidente do PS-M lembra que a obra do novo Hospital tem vindo a sofrer repetidos atrasos, a começar pela primeira fase, cujo concurso também ficou deserto e, inclusivamente, veio parar às páginas dos jornais por integrar o despacho de acusação no âmbito do processo judicial que envolve o ex-vice-presidente do Governo Regional, Pedro Calado.
Agora, prossegue Célia Pessegueiro, volta a verificar-se novo revés no processo. “Quanto é que este novo atraso e esta derrapagem irão custar à Madeira e aos madeirenses?” pergunta.
A socialista lembra que os concursos para as duas primeiras fases foram lançados com um total de quase 103 milhões de euros e que o concurso para a terceira fase foi lançado, em finais de agosto de 2025, por 265 milhões de euros. Isto, frisa, numa altura em que a escalada de preços na construção era já uma realidade e o preço base do concurso tinha já de contemplar o aumento dos preços de mercado. Questiona, por isso, como é que, apenas um mês depois, no início de outubro, o então responsável da Estrutura de Missão para o Hospital Central e Universitário da Madeira, Pedro Ramos, já dizia que a infraestrutura iria custar no total 550 milhões de euros.
Agora, perante as estimativas de “pessoas envolvidas em todo o processo”, que apontam para a possibilidade de a soma das três fases do Hospital poder aproximar-se dos 1.000 milhões, o PS exige que o Governo preste contas aos madeirenses.
Célia Pessegueiro exige também que o Governo dê conhecimento público dos estudos que fundamentem o preço-base do procedimento que venha a ser lançado, como obriga o CCP (Código dos Contratos Públicos).
Os socialistas recordam que, no passado, o Executivo ameaçou parar a obra por causa das eleições. Não só tal não aconteceu, como, agora, ela vai parar, mas por causa da incompetência do Governo.
