Convenção Autárquica
«O PSD lembrou-se que tem de ganhar eleições e é agora, só neste momento, que estão a trabalhar para isso, enquanto nós estamos a trabalhar desde o primeiro momento pelas pessoas e não nos esquecemos disso»
Convenção Autárquica
«O PS não defende há muito tempo estas medidas que Miguel Albuquerque está a apresentar agora. O PS já executa estas medidas onde é poder. Essa é que é a grande diferença»
A Madeira que queremos - Diálogos com Paulo Cafôfo
«O futuro da Madeira começou hoje. Vamos todos arregaçar as mangas!»
A Madeira que queremos - Diálogos com Paulo Cafôfo
«A nossa marca é a proximidade e o envolvimento dos cidadãos, da sociedade civil, na construção de um futuro comum»
A Madeira que queremos - Diálogos com Paulo Cafôfo
«Nós não queremos mudar o poder pelo poder. Temos uma estratégia de desenvolvimento para a Região assente numa agenda social, humanista, progressista, mas que quer, acima de tudo, mudar aquilo que tem sido um paradigma de um governo Regional que tem governado para o partido, tem governado para alguns interesses, não tem governado para o coletivo»
A Madeira que queremos - Diálogos com Paulo Cafôfo
«Temos uma Região que não tem petróleo nem diamantes, mas temos as pessoas, pessoas que querem concretizar sonhos, construir o futuro, que são trabalhadoras, empreendedoras e resilientes. É nestas pessoas, na sua educação, que nós devemos apostar, na qualificação da nossa população, porque esse é e será o principal fator de desenvolvimento»
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"A MADEIRA NÃO É PASSADO, É FUTURO"

Saramago escreveu uma vez que é preciso sair da ilha para ver a ilha. Uma coisa é certa: de cada vez que saio da Madeira, é quando me apercebo verdadeiramente do que significa poder voltar. Não se trata apenas de um entendimento pessoal, não são apenas saudades de casa; ou melhor, são saudades de casa, mas não são as minhas. São as dos milhares de madeirenses que encontro lá longe e de tudo o que tenho o privilégio de partilhar com eles, de viver com eles e de sentir por causa deles.

A Madeira fez-se sempre de todos os madeirenses que vivem pelo mundo, que lhe dão escala e alcance, mas infelizmente, faz-se também de todos os que não estão cá, mas queriam estar. De todos os que queriam voltar. E são muitos. Estamos em 2018, são muitos e temos uma obrigação para com eles, uma obrigação para com a Madeira, de restituir, até onde nos for possível, o extraordinário e insubstituível capital humano que nos torna um povo tão virtuoso e tão especial, capaz de resistir ao longo dos séculos ao isolamento e à ultraperiferia no meio do Atlântico, capaz de ser económica e geopoliticamente relevante, capaz de ser autónomo ou corajoso, para ir até onde fosse preciso para ser feliz.

Vivem mais madeirenses e nossos descendentes fora da ilha, do que na própria ilha, o que diz bastante da nossa História e do nosso tamanho, e nunca os conseguiríamos receber a todos; mas temos, para com eles e para com a ilha, a responsabilidade de receber condignamente todos os que quiserem voltar. Isso não é “dar-lhes condições de vida”, é dar-lhes condições para prosperar, é planear a contar com eles, é capitalizar, por eles e por nós, tudo o que eles podem trazer para casa. É capitalizar o nosso tamanho e o nosso potencial humano e económico. Estamos em 2018 e se há um modelo económico de que precisamos, é de um que fixe as nossas pessoas.

É isso que levaremos a eleições no próximo ano. Um programa eleitoral que entenda que a economia são as pessoas, que estanque o fluxo emigratório e cative as famílias que querem regressar à ilha. Num tempo em que se debate tanto em Portugal o envelhecimento da população e as graves consequências que a diminuição, a médio-prazo, da população ativa pode ter, temos, nos nossos emigrantes, o nosso ás de trunfo. Temos jovens, temos a geração emigrante mais qualificada de sempre, temos vontade de investir, temos gente que quer inverter o ciclo emigratório e criar condições para os seus filhos crescerem na sua terra.

Mas, tal como ouvi estes dias em Londres, as pessoas têm medo e têm dúvidas. Perguntam-se se a Madeira seria realmente capaz de acolhê-las de volta, e de lhes dar condições de vida, de emprego, de educação, de crescimento, se a Madeira seria realmente capaz de lhes dar soluções e futuro. Pois é nessa Madeira que eu acredito. É essa Madeira que as pessoas merecem, porque a nossa gente além-mar nunca, nunca deixou de acreditar nessa Madeira. É esta força e este carácter que me motivam neste projeto que lidero para a Região: ser uma Madeira sem desculpas e com soluções. Ser uma Madeira com futuro.

Apostaremos na Educação, que é o início de tudo. Na promoção de políticas não só de estímulo à natalidade, mas segundo a visão de que uma criança deve ser encarada como um investimento a longo prazo para a Região, o que implica investir desde a infância até ao Ensino Superior. Só melhorando todos os indicadores relacionados com a Educação na Madeira poderemos almejar um desenvolvimento económico sustentável. A educação é determinante no nosso sucesso enquanto região autónoma, enquanto economia competitiva e enquanto sociedade. É urgente redefinir o modelo educativo da Madeira, diminuindo os atuais níveis gritantes de abandono e insucesso escolar e garantindo condições de excelência para os nossos jovens. É inadmissível que, ainda hoje, alunos continuem a deixar de estudar por questões financeiras. E também não podemos continuar a formar jovens madeirenses, grandes talentos, para que depois emigrem para outras geografias para construir uma carreira profissional, por falta de oportunidades aqui. Tem de ser exatamente ao contrário e o sucesso da nossa reforma educativa estará diretamente relacionado com as futuras repercussões económicas para a Região.

A Madeira tem de crescer a um ritmo muito superior ao de hoje e, para isso, é fundamental que nos tornemos mais competitivos, com alterações substanciais na qualidade e racionalidade do investimento público realizado, e nos apoios às pequenas e médias empresas, com novos empregos e melhoramento das condições para quem quer investir na Madeira. O Governo Regional tem o dever de criar as condições para um ambiente económico gerador de oportunidades e emprego, porque só aumentando a escala da nossa economia, aumentaremos a receita fiscal no seu todo.

E apostaremos, podem ter a certeza, nos nossos emigrantes, como agentes fundamentais do crescimento e da mudança, em gente para quem a Madeira não pode ser o passado, mas o futuro, aproximando os que continuarão a sê-lo, mas recebendo os que querem voltar e não deixando sair os que querem ficar. Tenho vindo à Diáspora apresentar ideias para valorizar esta enorme Madeira fora da Madeira e sei bem o que tenho ouvido. A Madeira da próxima década será o que o nosso povo quiser, os que emigraram, os que ficaram e os que vão voltar. O nosso dever é aproveitar esta oportunidade histórica para uma nova geração de políticas públicas, que nos permita crescer a nível económico e social, promover a sustentabilidade do território, fixar as pessoas na região e dar esperança aos nossos jovens.

Esta é a oportunidade que muitos outros antes de nós nunca tiveram: fazer o futuro cá dentro.

Por Paulo Cafôfo, presidente da Câmara Municipal do Funchal, publicado no Diário de Notícias da Madeira, no dia 4 de dezembro.

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